Ter sido diagnosticada como bipolar afetiva há uns três anos atrás não me dizia muito.
Não consigo muito aceitar esse meu desequilíbrio emocional como algo fisiológico. Fico me sentindo fraca demais por me abater quando passo por algum momento difícil e me envergonho porque sei que é assim que as pessoas me vêem. Segundo a médica que me atendeu no pronto atendimento ontem, não tenho que me envergonhar, pois isso é uma doença... uma doença provocada pelo fato do meu cérebro não produzir uns tais neurotransmissores que ajudariam a me confortar nas situações difíceis. Ela disse que preciso estar em constante tratamento para que fique mais preparada para esses momentos. Isso significa então que vou ter que fazer uso dessas drogas por resto da vida.E que vou precisar sempre de um acompanhamento psiquiátrico...
Isso não é nem um pouco tranquilo pra mim também.
Agora estou afastada por 15 dias do serviço. A ideia de encarar meus alunos e colegas é profundamente assustadora. Mas vou precisar voltar. E quando voltar, sei que vou deparar-me com os olhares piedosos e palavras de conforto. Sei que são sinceras e por um lado me faz bem saber que consigo ser bem aceita pelo grupo. Por outro lado, ser digna de pena me deixa muito frustrada comigo mesma.
Numa hora dessas mais do que remédio, o que eu sinto mais falta é de amigos. Me sinto muito sozinha. As pessoas que estão em minha volta gostam de mim e se preocupam comigo, mas não estão dispostas a escutarem o que passa pela minha cabeça, pelo meu coração... quando me vêem triste, as pessoas ficam tristes comigo, procuram me consolar como se a minha tristeza fosse apenas pela perda de uma amiga, ou então ficam me lembrando o quanto sou alegre normalmente e o quanto essa alegria faz falta a elas... ficam me dando conselhos tipo: "Não fica assim não! Sua filha precisa de você! Você precisa ser forte!"
Eu não estou assim porque quero... eu não gostaria nunca que a minha filha me visse nessa angustia... e eu por mais que gostaria não sou tão forte assim... me sinto impotente diante do fato de acreditar que tenho feito tudo errado na minha vida. Penso o tempo todo que estou me esforçando tanto pra nada! Sinto que estou correndo tanto e que nunca saio do lugar! E nessa correria, vou deixando de conviver com as pessoas que amo, vou afastando dos amigos que faço, e amigas como a Edna agora e a JÔ no ano passado morrem sem que eu tivesse a oportunidade de compartilhar mais da vida de mulheres tão especiais como eu gostaria, por falta de tempo... o que que eu estou fazendo do meu tempo????